Sylvia Day
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Jun 4, 2013  •  Companhia das Letras  •  9788565530248

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Capítulo 1

Os taxistas de Nova York eram criaturas singulares. Destemidos ao extremo, arremessavam-se em alta velocidade pelas ruas abarrotadas com uma tranquilidade excepcional. Para preservar minha sanidade mental, eu havia aprendido a me concentrar na tela do meu celular em vez de ficar vendo os carros passarem ao meu lado a milímetros de distância. Sempre que eu cometia o erro de prestar atenção ao tráfego, me via o tempo todo apertando o pé contra o chão, instintivamente tentando acionar um pedal de freio imaginário.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu não precisava procurar nenhuma distração. Estava grudenta de suor depois de uma aula de krav maga das mais intensas, e minha cabeça ainda estava a mil em razão do que o homem que eu amava tinha feito.

Gideon Cross. Só de pensar em seu nome eu já sentia uma onda de calor por todo o corpo. Desde a primeira vez em que o vi — quando notei o lado obscuro e perigoso que havia por trás de um homem fascinante e inacreditavelmente lindo —, senti uma atração irresistível, que só poderia ter acontecido porque eu havia encontrado minha alma gêmea. Eu precisava dele assim como precisava do meu coração batendo, e ele por sua vez arriscou tudo o que tinha para ficar comigo.

O barulho de uma buzina me trouxe de volta ao presente.

Pelo vidro do carro, vi o sorriso de um milhão de dólares do meu colega de apartamento estampado em um anúncio publicitário na lateral de um ônibus. Os lábios sedutores de Cary Taylor e seu rosto fino e alongado estavam bloqueando o cruzamento. O taxista buzinava sem parar, como se isso pudesse liberar o caminho.

Sem chance. Cary se manteve imóvel, assim como eu. Estava deitado de lado, descalço e sem camisa, com as calças jeans abertas a fim de mostrar o elástico de sua cueca e os músculos bem definidos de seu abdome. Seus cabelos castanhos estavam sugestivamente despenteados, e seus olhos verdes brilhavam com malícia.

Só nesse momento, de repente, me dei conta de que seria obrigada a esconder do meu melhor amigo um segredo de enorme importância.

Cary era meu porto-seguro, minha voz da razão, meu melhor ombro amigo — um irmão para mim em todos os sentidos. Eu odiava a ideia de não poder contar a ele o que Gideon tinha feito por mim.

Eu precisava desesperadamente conversar sobre aquilo, procurar ajuda para tentar assimilar melhor o fato, mas nunca poderia abrir a boca para ninguém. Nem mesmo o nosso terapeuta poderia saber a respeito, pois se tratava de um caso em que a regra do sigilo profissional não precisava necessariamente ser seguida.

Um guarda de trânsito corpulento, vestindo um colete fluorescente, apareceu e mandou que o ônibus voltasse para sua faixa fazendo um gesto autoritário com a mão coberta pela luva branca e um grito que não deixou dúvidas de que estava falando sério. Ele fez um sinal para que atravessássemos o cruzamento pouco antes de o semáforo fechar.

O trajeto entre a cobertura de Gideon na Quinta Avenida e o meu apartamento no Upper West Side era bem curto, mas dessa vez pareceu ter durado uma eternidade. A informação que a detetive da Polícia de Nova York, Shelley Graves, havia compartilhado comigo poucas horas antes tinha transformado minha vida para sempre.

E me obrigava a abandonar a única pessoa com quem eu precisava de fato ficar.

Tive que deixar Gideon sozinho porque não acreditei na sinceridade das palavras de Graves. Eu não podia me arriscar. E se ela tivesse revelado suas suspeitas apenas para ver se eu voltava correndo para Gideon e fornecesse a prova de que seu rompimento comigo havia sido apenas uma farsa friamente planejada?

Minha nossa! O turbilhão de sentimentos no qual eu estava envolvida fez meu coração disparar. Gideon estava precisando de mim agora — assim como eu precisava dele, se não mais —, e ainda assim tive que lhe virar as costas.

A desolação em seus olhos quando a porta de seu elevador privativo se fechou foi de cortar o coração.

Gideon.

O táxi virou a esquina e parou na frente do meu prédio. O porteiro da noite abriu a porta do carro antes que eu cedesse à vontade de pedir ao motorista para me levar de volta, e o ar quente e úmido de agosto invadiu o ambiente, anulando o efeito do ar-condicionado.

“Boa noite, senhorita Tramell.” Além da saudação, o porteiro bateu com a ponta do dedo na aba do quepe e esperou pacientemente enquanto eu passava o cartão de débito. Quando o pagamento foi concluído, aceitei sua ajuda para descer do táxi e percebi que olhava discretamente o meu rosto marcado pelas lágrimas.

Sorrindo como se estivesse tudo bem, entrei no saguão e fui direto para o elevador, fazendo apenas um breve aceno de cabeça na direção da recepção.

“Eva!”

Virei a cabeça e vi uma morena elegante vestida com um conjuntinho estiloso de calça e blusa se levantando de uma das poltronas do saguão. Seus cabelos escuros e ondulados iam até os ombros, e seus lábios estavam cobertos de batom cor-de-rosa. Não a reconheci e franzi a testa.

“Pois não?”, eu respondi, pondo-me na defensiva. Havia um brilho ambicioso em seus olhos escuros que me deixou desconfiada. Apesar do abatimento que sentia, e provavelmente aparentava, endireitei os ombros e a encarei com firmeza.

“Deanna Johnson”, ela disse, estendendo a mão direita e exibindo suas unhas bem feitas. “Repórter freelance.”

Eu levantei as sobrancelhas. “Ora.”

Ela riu. “Não precisa ficar tão assustada. Eu só queria conversar com você um minutinho. Estou trabalhando em uma matéria, e seria ótimo se você pudesse me ajudar.”

“Sem querer ofender, mas eu sinceramente não consigo pensar em nada que tenha a dizer para uma repórter.”

“Nem sobre Gideon Cross?”

Os cabelos da minha nuca se arrepiaram. “Principalmente sobre ele.”

Como um dos vinte e cinco homens mais ricos do mundo, e com uma lista absurdamente longa de propriedades em Nova York, Gideon sempre era notícia. Mas também era notícia o fato de que ele havia rompido a relação comigo e reatado com a ex-noiva.

Deanna cruzou os braços, acentuando seu decote, algo em que reparei apenas porque a estava medindo novamente da cabeça aos pés.

“Vamos lá”, ela insistiu. “Eu prometo deixar seu nome fora disso, Eva. Não vou mencionar nada que possa identificá-la. É a sua chance de recuperar um pouco a sua autoestima.”

Senti um nó no fundo do estômago. Ela fazia exatamente o tipo de Gideon — alta, esguia, cabelos escuros, pele morena. Nada a ver comigo.

“Você tem certeza de que quer se envolver nisso?”, eu perguntei baixinho, enquanto algo dentro de mim me dizia que algum dia ela já tinha trepado com o meu homem. “Eu não iria querer ter alguém como ele como inimigo.”

“Você tem medo dele?”, ela rebateu. “Pois eu não tenho. O dinheiro dele não lhe dá o direito de fazer o que quiser sem nenhuma consequência.”

Eu respirei fundo e me lembrei de uma ocasião em que o dr. Terrence Lucas — outra pessoa com quem Gideon não mantinha boas relações — me disse mais ou menos a mesma coisa. Agora que eu sabia do que Gideon era capaz, até onde ele chegaria para me proteger, eu podia responder com sinceridade e sem nenhum pudor: “Não, eu não tenho medo. Mas aprendi a escolher somente as batalhas que valem a pena. Seguir em frente é a melhor vingança.”

Ela levantou o queixo. “Nem todo mundo tem astros do rock à espera como segunda opção.”

“Que seja.” Eu suspirei mentalmente ao ouvir a menção a Brett Kline, meu ex-namorado, vocalista de uma banda que começava a fazer sucesso e um dos homens mais atraentes que já conheci. Assim como Gideon, ele irradiava sex appeal. Mas, ao contrário de Gideon, não era o amor da minha vida. Minha relação com ele era uma página virada.

“Escute só”, Deanna sacou um cartão de visita do bolso da saia, “em breve todo mundo vai saber que Gideon Cross estava simplesmente usando você para deixar Corinne Giroux com ciúmes e conquistá-la novamente. Quando cair na real, me ligue. Vou estar esperando.”

Eu peguei o cartão. “Por que você acha que eu tenho alguma coisa interessante para dizer?”

Sua boca sensual se estreitou. “Porque apesar da motivação de Gideon quando tudo começou ser outra, você mexeu com ele. O homem de gelo se derreteu um pouquinho por sua causa.”

“Talvez, mas agora acabou.”

“Isso não significa que você não tenha nada para dizer, Eva. Eu posso ajudar você a filtrar o que vale a pena.”

“Qual é a sua intenção com essa matéria?” Eu jamais ficaria parada observando enquanto alguém apontava suas armas para Gideon. Se a intenção dela era prejudicá-lo, a minha era atrapalhar os planos dela.

“Aquele homem tem um lado obscuro.”

“E nós também não temos?” O que ela teria visto em Gideon? O que ele poderia ter revelado na... interação entre os dois? Isso se houve de fato uma.

Eu duvidava que algum dia seria capaz de pensar em Gideon com outra mulher sem ser dominada por um ciúme brutal.

“Por que não vamos até algum lugar para conversarmos melhor?”, ela sugeriu.

Dei uma olhada para a recepção, e todos ignoravam educadamente a nossa conversa. Eu estava abalada demais emocionalmente para lidar com Deanna, e minha cabeça ainda girava a mil por hora depois da conversa com a detetive Graves.

“Talvez outra hora”, eu falei, deixando o canal de comunicação aberto porque pretendia me manter informada sobre os passos dela.

Como se tivesse notado meu desconforto, Chad, um dos funcionários da recepção, veio até nós.

“A senhorita Johnson já está de saída”, eu informei, tentando parecer mais relaxada. Se uma policial como a detetive Graves não tinha conseguido nada contra Gideon, uma repórter freelance enxerida não seria capaz de fazer muito melhor.

Felizmente, eu sabia que tipo de informação poderia ser divulgada pela polícia, e o quão facilmente isso foi feito em diversas ocasiões. Meu pai, Victor Reyes, era policial, e eu tinha ouvido falar bastante sobre esse assunto.

Eu me virei na direção do elevador. “Boa noite, Deanna.”

“A gente se fala”, ela respondeu atrás de mim.

Entrei no elevador e apertei o botão do meu andar. Quando a porta se fechou, eu desabei sobre a barra de apoio do elevador. Eu precisava avisar Gideon, mas não tinha como entrar em contato com ele sem deixar nenhum rastro que pudesse ser seguido mais tarde.

A dor no meu peito se intensificou. Nosso relacionamento estava indo de mal a pior. Não podíamos nem conversar um com o outro.

Saí do elevador e entrei no apartamento, atravessando a sala de estar espaçosa para largar minha bolsa em um banquinho na cozinha. A vista de Manhattan, que eu tinha da minha janela de parede inteira, daquela vez não exerceu nenhum efeito sobre mim. Eu estava agitada demais para me dar conta de onde estava. A única coisa que importava era que eu não estava com Gideon.

Quando entrei no corredor para o meu quarto, ouvi o som de uma música vindo do quarto de Cary. Será que estava com alguém? Se estivesse, quem seria? Meu melhor amigo havia decidido manter dois relacionamentos simultâneos — com uma garota que o aceitava como era e com um cara que não suportava a ideia de que ele pudesse ter mais alguém.

Deixei as roupas espalhadas pelo chão do banheiro à medida que caminhava para o chuveiro. Enquanto me ensaboava, era impossível não me lembrar das vezes em que tomei banho com Gideon, momentos em que nosso tesão um pelo outro proporcionou cenas de muito erotismo. Eu sentia muito a falta dele. Eu precisava de seu toque, seu desejo, seu amor. A saudade que eu sentia de tudo isso me consumia, me deixava inquieta e à beira de um ataque de nervos. Eu não sabia como iria conseguir dormir se não conseguisse falar com Gideon. Nós tínhamos tanto o que conversar.

Me enrolei na toalha e saí do banheiro...

Gideon estava do outro lado da porta. Dar de cara com ele ali me causou uma reação tão abrupta, como tivesse recebido um soco no estômago. Perdi o fôlego, e o meu coração se acelerou — meu corpo inteiro reagiu à presença dele com uma onda poderosa de desejo. Parecia que não nos encontrávamos fazia anos, apesar de termos nos despedido havia menos de uma hora.

Eu tinha dado a ele a chave do meu apartamento e, além disso, ele era o proprietário do prédio. Dessa forma, poderia chegar até mim sem deixar rastros... assim como havia feito com Nathan.

“É perigoso você vir até aqui”, eu falei. O que não me impedia de ficar muito animada por ele estar ali. Eu o devorava com os olhos, percorrendo seu corpo esguio e seus ombros largos.

Ele estava usando calças pretas de agasalho e o moletom da Universidade de Columbia de que tanto gostava, um visual que revelava o homem de vinte e oito anos que ele era e não o bilionário poderoso que o restante do mundo conhecia. Um boné dos Yankees escondia sua testa na penumbra, mas nada podia fazer para diminuir o brilho arrebatador de seus olhos azuis. Eles me encaravam ferozmente, seus lábios sensuais desenhados em uma linha fina. “Eu não conseguia ficar longe de você.”

Gideon Cross era um homem incrivelmente belo, tão lindo que as pessoas paravam para olhá-lo enquanto ele caminhava. Uma vez cheguei a pensar que ele poderia ser uma espécie de deus sexual, e suas frequentes — e entusiásticas — proezas provavam que eu estava certa, mas eu também descobri que ele era muito humano. Como eu, ele também havia sido corrompido.

As probabilidades eram contra o nosso sucesso.

Meu peito se expandiu em um grande suspiro, meu corpo reagindo à proximidade do dele. Mesmo a alguns metros de distância, eu ainda era capaz de sentir a vibração magnética de estar perto da pessoa que fazia minha alma se sentir completa. Era sempre assim, desde o nosso primeiro encontro — sentíamos uma atração irresistível um pelo outro. No começo, nós confundimos esse desejo mútuo e feroz com luxúria, mas com o tempo nos demos conta de que éramos incapazes de respirar sem o outro.

Lutei para reprimir o desejo de me jogar em seus braços, onde eu gostaria desesperadamente de estar. Ele, por sua vez, tinha um autocontrole implacável. Esperei ansiosamente pelo que ele tinha a me dizer.

Minha nossa, como eu o amava.

Ele fechou as mãos nas laterais do corpo. “Eu preciso de você.”

Meu ventre se contraiu em resposta a sua voz áspera, afetuosa e cheia de luxúria.

“Você não parece tão feliz por isso”, eu provoquei, tentando criar um clima mais descontraído para quando ele estivesse em cima de mim.

Eu o amava demais, e o amava do fundo do coração. Estava disposta a aceitá-lo fosse como fosse, mas fazia tanto tempo... Minha pele estava sensível com a expectativa, pronta para se render ao seu toque. Fiquei com medo de saber como meu corpo reagiria se ele viesse com tudo para cima de mim enquanto eu estivesse com tanto tesão. Havia o sério risco de uma explosão incontrolável.

“Isso está acabando comigo”, ele falou em um tom de sofrimento. “Ficar sem você. Sentir tanto a sua falta. Sinto que minha sanidade depende de você, Eva, e você quer que eu finja que estou feliz, porra?”

Passei a língua pelos lábios ressecados, e ele grunhiu ao me ver fazer isso, provocando um arrepio em todo meu corpo. “Bom... eu estou feliz em ver você.”

A tensão em sua postura visivelmente diminuiu um pouquinho. Ele devia estar preocupado sobre como eu reagiria quando descobrisse o que fez por mim. Para ser sincera, eu também teria ficado. O fato de me sentir grata significava que eu era ainda mais perturbada do que imaginava?

Então eu me lembrei das mãos do filho do meu padrasto passando pelo meu corpo... seu peso me esmagando em cima do colchão... a terrível dor no meio das minhas pernas enquanto ele investia contra mim sem parar...

Estremeci ao sentir o ódio se renovar dentro de mim. Não fazia a menor diferença se o alívio trazido pela morte daquele filho da puta significava que eu era uma pessoa perturbada.

Gideon respirou fundo. Ele levou a mão até o peito e massageou a área onde sentia seu coração se comprimir.

“Eu amo você”, falei, e meus olhos se encheram de lágrimas. “Eu amo você demais.”

“Meu anjo.” Ele chegou até mim com passos rápidos, jogando a chave no chão e agarrando meus cabelos molhados com as duas mãos. Ele estava tremendo, e eu chorei ao sentir mais uma vez o quanto ele precisava de mim.

Inclinando minha cabeça no ângulo que ele queria, Gideon me beijou com um sentimento poderoso de possessividade, me saboreando com movimentos lentos e profundos com a língua. Sua paixão e seu desejo levaram os meus sentidos à loucura. Eu gemi e me agarrei com força ao tecido de sua blusa. O grunhido que ele soltou em reação reverberou pelo meu corpo, endurecendo meus mamilos e fazendo a minha pele inteira se arrepiar.

Eu me derreti nos braços dele, e arranquei o boné de sua cabeça para poder enfiar os dedos por entre seus cabeços pretos e sedosos. Abaixei a cabeça, arrebatada pela sensualidade carnal de seu beijo, e deixei escapar um soluço.

“Não faça isso”, ele sussurrou, afastando-se para segurar meu queixo. Gideon me olhou nos olhos. “Você acaba comigo quando chora.”

“É demais para mim.” Eu comecei a tremer.

Seus lindos olhos pareciam exaustos como os meus. Ele balançou a cabeça, com uma expressão de tristeza. “O que eu fiz...”

“Não, não é isso. É o que eu sinto por você.”

Ele me acariciou com a ponta do nariz, tocando meus braços nus com as mãos — mãos que, eu sabia, estavam manchadas de sangue, o que só fazia com que as desejasse ainda mais.

“Obrigada”, eu murmurei.

Os olhos dele se fecharam. “Minha nossa, quando você foi embora... Sem eu saber se iria voltar... Se eu tivesse perdido você...”

“Eu também preciso de você, Gideon.”

“Eu não me arrependo. Faria tudo de novo.” Ele apertou as mãos contra mim. “As opções eram interdições judiciais, contratar guarda-costas, manter a vigilância... pelo resto da sua vida. Não havia nada que garantisse a sua segurança enquanto Nathan não estivesse morto.”

“Você me afastou. Se fechou para mim. Nós dois...”

“Para sempre.” Ele encostou o dedo nos meus lábios entreabertos. “Acabou, Eva. Não adianta discutir sobre algo que não pode ser mudado.”

Eu afastei a mão dele. “Acabou mesmo? Nós já podemos voltar a ficar juntos, ou ainda precisamos esconder nosso relacionamento da polícia? Aliás, o nosso relacionamento ainda existe?

Gideon manteve seu olhar em mim sem esconder nada, permitindo que eu visse seu medo e seu sofrimento. “Eu vim até aqui para perguntar isso a você.”

“Se depender de mim, nunca mais saio de perto de você”, eu disse com veemência. “Nunca mais.”

As mãos de Gideon deslizaram pelos meus ombros, fazendo a temperatura da minha pele subir. “É só disso que eu preciso”, ele disse baixinho. “Fiquei apavorado com a ideia de que você fosse fugir... que ficaria com medo. De mim.”

“Gideon, não...”

“Eu jamais machucaria você.”

Eu agarrei a barra do moletom dele e puxei, mesmo sabendo que não tinha força para fazê-lo se dobrar até mim. “Eu sei disso.”

Em termos físicos, não havia a menor dúvida — ele sempre foi muito cuidadoso comigo, cauteloso. Mas, em termos emocionais, o amor que eu sentia por ele já havia sido usado contra mim de forma meticulosamente calculada. Eu ainda não estava convencida por completo de que Gideon compreendia meus sentimentos, se ele sabia que o meu coração partido ainda não estava totalmente cicatrizado.

“Sabe mesmo?” Ele olhou bem nos meus olhos, procurando por algo que eu não tivesse revelado. “Abrir mão de você acabaria comigo, mas é isso que eu prefiro se estiver fazendo você sofrer.”

“É com você que eu quero estar.”

Ele suspirou audivelmente. “Meus advogados vão falar com a polícia amanhã para descobrir em que pé as coisas estão.”

Levantei a cabeça e beijei de leve sua boca. Nós éramos cúmplices na ocultação de um crime, e eu estaria mentindo se dissesse que isso não me incomodava — afinal de contas, eu era filha de um policial —, mas a outra opção era tenebrosa demais para ser considerada.

“Você precisa ter certeza de que vai ser capaz de conviver com o que eu fiz”, ele disse baixinho, enrolando meus cabelos em torno do dedo.

“Acho que consigo. E você?”

Ele me beijou de novo. “Eu sou capaz de suportar qualquer coisa se eu tiver você.”

Enfiei a mão por baixo de sua blusa e encontrei sua pele morena e quente. Seus músculos firmes se enrijeceram ao meu toque, seu corpo era um monumento sedutor e viril. Eu lambi a boca dele e mordi de leve seu lábio inferior. Gideon gemeu. Seu ruído de prazer me envolveu como uma carícia.

“Quero sentir o seu toque.” Suas palavras eram autoritárias, mas seu tom era de súplica.

“Eu estou bem aqui.”

Ele estendeu a mão para trás, agarrou meu pulso e puxou minha mão para frente. Depois tirou o pau para fora sem nenhum pudor, e soltou um gemido. Meus dedos envolveram seu membro grande e grosso, e meu coração disparou quando me dei conta de que ele estava aquele tempo todo sem cueca.

“Minha nossa”, eu sussurrei. “Você me deixa com tanto tesão.”

Seus olhos azuis me encaravam fixamente. Seu rosto estava vermelho, e seus lindos lábios se abriram. Gideon nunca tentou esconder o efeito que eu causava sobre ele, nunca fingiu que sabia se controlar melhor que eu quando estávamos juntos. Isso tornava seu domínio sobre mim na cama ainda mais excitante, pois eu sabia que ambos estávamos entregues ao mesmo impulso arrebatador.

Senti meu peito se apertar. Ainda não conseguia acreditar que ele era meu, que eu poderia tê-lo por inteiro, entregue, sedento e gostoso como o pecado...

Gideon arrancou a toalha em que eu estava enrolada. Ele respirou fundo ao me ver completamente nua. “Ah, Eva.”

Sua voz tremia de emoção, fazendo os meus olhos arderem. Ele arrancou a blusa e a jogou de lado. Depois foi até mim a passos lentos, adiando o momento em que nossa pele nua se encontraria.

Ele apertou meus quadris, remexendo inquietamente os dedos, com a respiração ofegante. Meus mamilos foram a primeira parte a tocá-lo, espalhando uma onda de calor por todo o meu corpo. Eu perdi o fôlego. Ele me puxou com força para si com um grunhido, arrancando meus pés do chão e me carregando até a cama.

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